Análise de Negócio Aplicada à Tecnologia da Informação 1

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PALAVRAS-CHAVE: analista de negócios, Guia BABOK, análise corporativa, necessidade de negócio.

Business Analysis

INTRODUÇÃO

O mundo corporativo tem evoluído na busca por eficiência e a profissão de Analista de Negócios está crescendo junto. As organizações, de acordo com a maturidade e capacidade, estão cada dia mais interessadas em adotar padrões envolvendo Análise de Negócios. O Analista de Negócios tem como papel principal auxiliar as organizações nas suas diversas atividades demonstrando habilidades necessárias para executar o papel de forma efetiva.

O Analista de Negócio é responsável por desvendar as verdadeiras necessidades das partes interessadas. Costuma ter um papel central no alinhamento entre as necessidades das unidades de negócio e as funcionalidades desenvolvidas pela área de Tecnologia da Informação (TI), podendo servir como “intermediador” entre esses grupos. (Santos, 2011).

OBJETIVO

O artigo tem como objetivo levantar e identificar as atividades vinculadas a Análise de Negócios em todas as fases do projeto e suas tarefas do cotidiano e seu impacto para as organizações.

METODOLOGIA

Para a execução deste trabalho foi realizada uma revisão bibliográfica de livros e artigos científicos relacionados à Análise de Negócios em Tecnologia da Informação (TI). Teve como base o guia para o Corpo de Conhecimento de Análise de Negócios (IIBA, 2009).

ANÁLISE DE NEGÓCIOS

É um conjunto de técnicas e atividades utilizadas para servir como o intermediador entre as partes interessadas (que entendem do negócio) e a parte técnica, auxiliando no crescimento da organização. Essas técnicas envolvem compreender como a organização funciona, seus objetivos e com isso ser capaz de definir as capacidades que ela deve obter para prover produtos e serviços ao mercado.

O Analista de Negócios costuma ter um papel central no alinhamento entre as necessidades da área de negócios e as funcionalidades da área de TI. (PERALTA, 2010).

CONCEITOS IMPORTANTES

A seguir serão apresentados alguns conceitos importantes para o entendimento das técnicas de análises de negócios.

A) Domínios: é a área que será submetida à análise.

B) Soluções: conjunto de mudanças que serão feitas na organização para atender as necessidades do negócio.

C) Requisitos: Pode ser uma condição ou capacidade para a parte interessada resolver um problema ou atingir seu objetivo. O Guia BABOK utiliza o seguinte propósito para o esquema de classificação para descrever requisitos:

  • Requisitos de Negócio são metas de alto nível, objetivos e necessidades da organização. Descrevem as razões pelas quais o projeto foi iniciado assim como os objetivos e metas que deverá atingir para garantir o sucesso. Analisa a necessidade da organização como um todo e não grupo ou partes interessadas.
  • Requisitos de partes interessadas descrevem as necessidade das partes interessadas e como as mesmas interagiram com a solução. Serve como ponte entre os requisitos de negócios e as várias classes de requisitos de solução.
  • Requisitos de solução descrevem se o requisito atende ao negócio e às partes interessadas. São desenvolvidos e definidos pela Análise de requisitos. Normalmente são divididos em duas subcategorias, particularmente quando os requisitos descrevem uma solução de software.
  • Requisitos funcionais: descrevem o comportamento e a informação que a solução irá gerenciar e a capacidade que o sistema terá de executar.
  • Requisitos não funcionais: captura as condições que não se relacionam diretamente ao comportamento ou funcionalidade da solução, mas descrevem condições ambientais sob as quais a solução deve permanecer efetiva.

D) Requisitos de transição: mostra a capacidade que a solução deve possuir com o objetivo de facilitar a transição do estado atual da organização para um estado desejado.

E) Áreas de conhecimentos: definem o que um analista de negócios precisa saber e as tarefas que deverá desempenhar, pode ser iniciado por qualquer tarefa, mas as mais prováveis são definir a necessidade do negócio ou avaliar o desempenho da solução.

F) Planejamento e Monitoramento da Análise de Negócios: é a área de conhecimento que os Analistas de Negócios que descrevem quais as atividades para iniciar a Análise de Negócios. Cobre a identificação das partes interessadas, seleção de técnicas de análises de negócios ao qual o processo será utilizado para o gerenciamento de requisitos e como avaliarão o desempenho do trabalho. (Kerber. 2009)

G) Elicitação: descreve como o Analista de Negócio trabalha junto com as partes interessadas para identificar e compreender suas necessidades e preocupações. Visa garantir que as reais necessidades sejam compreendidas e não somente os desejos explícitos ou superficiais (PINTO 2012).

H) Gerenciamento e comunicação dos requisitos: descreve como o Analista de Negócio gerencia os conflitos e mudanças, consiga garantir que as partes interessadas e todos os participantes do projeto atuem de acordo com o escopo do projeto.

I) Análise corporativa: descreve como identificar uma necessidade do negócio, refina e esclarece a real necessidade assim como o escopo da solução que pode ser implementada pela organização e a forma mais viável. (Kerber 2009).

J) Análise de requisitos: descreve como a Analista de negócio prioriza e elabora o requisito das partes interessadas e a solução com o intuito de permitir que os participantes do projeto implementem a solução que atenderá a necessidade da organização.

K) Avaliação e Validação da Solução: descreve como o Analista de Negócio avalia as soluções propostas para determinar qual solução atende melhor às necessidades da organização, identificar os gaps (lacunas) e as falhas na solução e também se as soluções entregues estão de acordo com o escopo e se realmente atendeu as necessidades do negócio (PINTO 2012).

 

Figura 1 – Hierarquia do relacionamento das áreas do conhecimento (IIBA, 2009)

Figura 1 – Hierarquia do relacionamento das áreas do conhecimento (IIBA, 2009)

Para execução de todo o organograma mostrado na Figura 1, utilizam-se tarefas, propósito e descrição, onde a tarefa analisa o desempenho do Analista de Negócios para atingir o objetivo. O propósito é a razão pelo qual o Analista de negócio executa a tarefa e o valor criado na execução. Descrição é um seguimento essencial do trabalho que precisa ser desempenhado como parte da Análise de Negócio.

Estudo de caso

A empresa objeto deste estudo de caso é uma instituição que desenvolve produtos bancários para cooperativas de crédito, uma empresa com aproximadamente 10 anos e foi criada através de uma junção de quatro cooperativas. Os processos de desenvolvimento de sistemas ainda estão em fase de desenvolvimento a fim de encontrar o melhor cenário que se enquadre na política da empresa. Com matriz em São Paulo e seu principal e maior cliente em Goiânia, a empresa decidiu abrir um núcleo de projetos em Goiânia para estreitar o relacionamento com esse cliente principal.

Este artigo teve acesso às práticas realizadas pela filial de Goiânia e a equipe que ela compõe. A figura 2 exibe a estrutura atual da equipe composta na filial que atualmente tem 33 colaboradores.

Figura 2 – Equipe de projetos composta na filial Goiânia

Figura 2 – Equipe de projetos composta na filial Goiânia

Cada projeto é nomeado um responsável, normalmente são os analistas de negócios e estes reportam à Coordenação e/ou a Gerente de projetos.

A Coordenação ERP contém as áreas bancárias e os analistas de negócios, na qual estão as áreas de Empréstimos, Conta corrente, Financeiro e Tesouraria.

Análise das atividades de comunicação e de Gerenciamento de requisitos

Nesta seção são destacados os pontos de atenção identificados na instituição objeto deste estudo após questionário e alinhamento com um Analista de Negócios de cada equipe visando identificar melhoria e os pontos de atenção.

Segue alguns pontos críticos levantados pelas áreas e relatados no questionário:

  • Para o início dos projetos, 50% não tiveram data base;
  • As mudanças foram solicitadas pelas partes interessadas em 80% dos projetos;
  • Dentre as novas funcionalidades solicitadas 5% dos requisitos estavam alinhados com os requisitos previamente aprovados;
  • Os responsáveis pela aprovação e partes interessadas tiveram dúvidas quanto ao que estava especificado em 80% dos casos;

Os problemas identificados acima foram devido à ausência de atualização de data base, falha no processo de comunicação, mudança no escopo devido a prazos curtos, excesso de solicitação de mudanças e comunicação insuficiente.

A melhoria no processo aumenta a proximidade entre as partes, aperfeiçoando a comunicação formal e informal com o intuito de reduzir situações divergentes.

CONCLUSÃO

A metodologia demonstra a importância da comunicação e do gerenciamento dos requisitos nos processos, diversos problemas são oriundos dessas falhas que podem ocorrer durante todo o projeto, por isso que deve ter muita atenção à comunicação e aos requisitos.

Despertar o interesse dos stakeholders para realizar todas as tarefas, técnicas e ferramentas para viabilizar as melhorias de requisitos elencadas no Babok. Com este propósito, pretende-se difundir as práticas estudadas a fim de evoluir o desenvolvimento da instituição.

O estudo de caso está em fase de análise e o planejamento e implementação foram submetidos à gerência.

Joel ISHIKAWA¹; Marcelo Stehling de CASTRO²
¹Estudante de pós-graduação lato sensu – EMC/UFG – Joel.ishikawa@gmail.com
²Orientador do Curso de Especialização em TGN – EMC/UFG – mcastro@ufg.br

Patrícia Silva

Joel Ishikawa (Perfil no LinkedIn)
Bacharel em Sistemas de Informação – Universidade Anhembi Morumbi – SP
Especialização: Tecnologia para Gestão de Negócios- UFG

Referências

IIBA: International Institute of Business Analisys. O Guia para o Corpo de conhecimento de Análise de Negócio (Guia BABOK), Versão 2.0, Toronto, Canadá, 2009.

PERALTA, C. O papel do analista de negócios em TI nas empresas. 2010. Disponível em: http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/tecnologia/o-papel-do-analista-de-negocios-em-ti-nas-empresas/49702/. Acesso em: 13/08/2013.

PINTO, E. M. O Papel do Analista de Negócio. 2012. Disponível em: http://wm2info.com.br/blog/2012/05/29/o-papel-do-analista-de-negocio/. Acesso em: 14/08/2013.

Kerber, C. B. Gostei desse “negócio”, mas por onde começar? 2009. Disponível em :
http://www.kerber.com.br/analise-de-negocios.php. Acesso em:13/09/2013

Santos, R. Qual é o perfil de Analista de Negócio que o mercado está procurando. 2011. Disponível em: http://www.rildosan.com/2011/02/qual-e-o-perfil-de-analista-de- negocio.html. Acesso em: 13/09/2013

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One comment on “Análise de Negócio Aplicada à Tecnologia da Informação

  1. Responder FRANCIS SANTTOS jul 15,2015 19:17

    Conhecimentos relevantes para a carreira do SER.

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