Tomada de decisão – Ferramentas de Análise (parte I) 6

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A todo dia somos bombardeados por situações demandando tomada de decisão. Nem sempre, no entanto, sabemos como realizar a escolha da melhor forma: emoção, preconceito e a famosa “correria” são alguns dos fatores que influenciam – e muito – na tomada de decisão. Ainda que a emoção possa ajudar um CEO a tomar uma boa decisão, ainda que difícil, em grande parte das vezes o mais correto é utilizar informações realistas para essa tarefa.

O contexto

O termo tomada de decisão, popularizada no mundo dos negócios por Chester Barnard (executivo do setor de telefonia nos EUA)[3], faz parte de um processo no qual se escolhe um caminho dentre vários outros[4], indo do simples ao complexo: A escolha entre qual software utilizar, a compra de um novo carro, a contratação de um funcionário ou abertura de uma nova filial. As perspectivas a se analisar são muitas, apesar da negligência de muitos decisores, por diversos motivos.

As ferramentas

Quando a ocasião/tempo permite, podemos utilizar ferramentas como as citadas abaixo:

Análise de Quadrante

Método que consiste em pesar os resultados potenciais de um par de incertezas [1], como custo e benefício, satisfação do funcionário e contrapartida da empresa (salário, estudos e outros benefícios), tempo e qualidade, e resulta na separação do que será focado e do que será descartado. Abaixo, segue um tutorial e exemplo de análise de estratégias imaginadas por um estudante de marketing para melhorar sua carreira:

  1. Listar possíveis estratégias
  2. Pensar no custo de 0 a 10 para realizar esta estratégia
  3. Pensar no benefício de 0 a 10 após realizar esta estratégia
  4. Escolher um ou dois quadrantes a serem executados, lembrando que o custo pode ser um limitador (restrição) e, consequentemente, forçar a escolha das estratégias do 1º e 3º quadrantes.

 

A estratégia “Fóruns e e-mail” foi analisada como sendo custo “2″ (de 0 a 10) e benefício “3″ (também de 0 a 10). Por outro lado, a estratégia consultoria foi avaliada como custo 7 e benefício 9.

Após a separação dos quadrantes, a decisão privilegiou o benefício sobre o custo, optando a escolha do 1º e 2º quadrante, com as estratégias: Pesquisas na Internet, Cursos rápidos e Consultoria.

 

O próximo exemplo pode ser implementado a partir de um brainstorming ou através de questionários. Ele mostra a empresa escolhendo quais estratégias executar, levando em conta seu orçamento e benefícios aos funcionários:

Decisão sobre novos benefícios aos funcionários

 

Gráfico de Pareto

O princípio, criado pelo economista Italiano Alfredo Pareto, veio da observação de que grande parte da riqueza se encontrava nas mãos de um número muito reduzido de pessoas. Essa regra foi percebida útil e aplicável em outras áreas e situações, originando a regra 80-20 (%), onde um pequeno número de causas (em torno de 20%) é responsável pela maioria dos efeitos (em torno de 80%). Também é conhecida como curva ABC e 70-30 (adaptado de [5]).

O princípio ajuda a aumentar a eficiência, já que poupa recursos ao demonstrar no que concentrar (o que mais afeta um contexto). Por exemplo, muitas das vezes, por volta de 80% dos problemas de um software estão em 20% dos módulos, mais de 70% do faturamento vem de menos de 30% dos clientes, a grande maioria das reclamações vem de uma minoria de clientes, etc. Quando se trata de análise de mercado, deve-se levar em conta também a Teoria da Cauda Longa [6].

Para realizar uma análise utilizando o princípio, basta calcular os percentuais de uma série, ordenar estes percentuais de forma decrescente e acumulá-los, para identificar o conjunto que causa o maior impacto, conforme exemplo abaixo (para criar um gráfico de Pareto no Excel siga os passos neste tutorial [7]):

Maiores responsáveis pela receita

Na figura acima, a interpretação é que 30% dos clientes são responsáveis por 70% das receitas (R$ 48.521,00 dos clientes X, Y e Z).

 

Danilo Santos Teodoro

Danilo Santos Teodoro (Perfil no LinkedIn)
Graduado em Administração
MBA em Gestão de Software

 


Referências

[1] Critical decisions–four-quadrant scenario analysis, acessado em 03/01/2013, disponível em:http://foresightculture.com/2009/12/04/critical-decisions-four-quadrant-scenario-analysis
[2] Pesquisa de Opinião no Transporte Coletivo: Análise da aplicação dos métodos de quadrante e do Impacto, acessado em 04/01/2013, disponível em: http://www.scribd.com/doc/55974850/Analise-de-Quadrantes
[3] Inteligência Competitiva e a tomada de decisão, acessado em 04/01/2013, disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/inteligencia-competitiva-e-a-tomada-de-decisao/1426/
[4] Tomada de Decisão, acessado em 04/01/2013, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomada_de_decis%C3%A3o
[5] Solução de Problemas com o uso do PDCA e das Ferramentas da Qualidade. Acessado em 05/01/2013, disponível em: http://sandrocan.wordpress.com/tag/diagrama-de-pareto/
[6] A Cauda Longa. Acessado em 05/01/2013, disponível em: http://www.slideshare.net/LucianaCaran/a-cauda-longa-presentation
[7] Aprenda a fazer um Gráfico de Pareto no Excel. Acessado em 05/01/2013, disponível em: http://somentequalidade.wordpress.com/2012/04/10/aprenda-a-fazer-um-grafico-de-pareto-no-excel/

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6 thoughts on “Tomada de decisão – Ferramentas de Análise (parte I)

  1. Responder Patrícia Silva jan 27,2013 12:17

    artigo muito bom, parabéns!!!…realmente, ao tomar decisões, é preciso ter ferramentas que auxiliam nas escolhas…seja no campo empresarial, acadêmico, etc…a escolha da ferramenta a ser utilizada, com certeza, dependerá, de vários fatores, entre eles, a complexidade da tomada de decisão

  2. Responder TI & Gestão (@tiegestao) jan 28,2013 19:47

    Obrigado Patrícia!
    O principal ponto aqui foi introduzir algumas ferramentas para permitir ao administrador uma tomada de decisão focada e baseada em critérios. Abraço!

  3. Referenciado em: Função do Controller na Gestão de Riscos ← TI & Gestão

  4. Referenciado em: Tomada de decisão – Ferramentas de Análise (final) ← TI & Gestão

  5. Responder Marino Petrillo Neto abr 25,2014 23:52

    Apesar das críticas que ouvimos a respeito do uso deste tipo de gráfico (em apresentações usar um gráfico de quadrante pode até desmerecer o conteúdo), gostei muito da associação com tomada de decisão. Trabalho com isso, dou aulas na FIA de tomada de decisão e vou refletir sobre o mesmo e procurar associa-lo com outras ferramentas para testar sua validade com decisões mais complexas. Quando o fizer, passo o feed back.

  6. Responder TI & Gestão (@tiegestao) abr 27,2014 21:17

    Obrigado pela contribuição Marino, esse feedback que você me repassar será de extrema importância ao Blog e artigo, posso inclusive incorporá-la mencionando sua ajuda. Aproveitando, a segunda parte do artigo se encontra aqui: http://www.tiegestao.com.br/2013/07/10/tomada-de-decisao-ferramentas-de-analise-final/

    Abraços!

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